Em meu entusiasmo por compartilhar algumas situações positivas e também as negativas em relação às bibliotecas públicas na antiga São Paulo, deixei o “gran-finale” de fora da postagem anterior.

Desta forma, tive que criar este novo com o relato do mesmo Fernando de Azevedo a respeito da importância das livrarias e bibliotecas. Ao mesmo tempo, acrescento um trecho do livro “Deixem que leiam” (Rocco, 2012), da bibliotecária francesa Geneviève Patte.

Primeiro, o Fernando:

“O que, nessas incursões por livrarias e bibliotecas, mais me interessava, – além da descoberta de livros raros, de edições antigas e obras necessárias para meus estudos – eram o contato e convívio com estudantes, jornalistas, mestres e escritores. Eram elas, – as livrarias e bibliotecas – pontos, e excelentes, de encontros intelectuais e profissionais. Quando não encontrava livro que me interessasse no momento, ou já o havia encontrado, era, na conversa com amigos, colegas, ou alunos, que aproveitava o restante do tempo permitido, para essas visitas, por minhas ocupações profissionais. Era li, nas livrarias e bibliotecas, que espaireciam às vezes, em palestras amigas e alegres, quase boêmias, mestres e alunos, escritores e jornalistas, em encontros inesperados, e tantas vezes agradáveis e úteis”.

Agora a Geneviève:

“A biblioteca, para que siga existindo hoje, é chamada a se transformar. Com a era dos números, todas as fronteiras e clivagem desaparecem! A biblioteca não pode ser um lugar confinado. Ela está em toda parte, lá onde, em torno de um adulto que desperta as curiosidades e as inteligências, as crianças vivem belas relações com o livro. A biblioteca se abre a todas as gerações, ela se torna parte de família. Mas a infância tem, aí, um lugar especial. Sempre com o livro. Todas as artes, assim como a internet, devem estar presentes. O que permanece sendo essencial é a mediação humana que os bibliotecários e colaboradores da biblioteca podem oferecer. É assim que a criança pode sair das trilhas estreitas e repisadas para ousar a aventura da leitura”.

Décadas se passaram entre os relatos, a tecnologia se faz presente hoje, mas o local de encontro ainda se faz necessário. Cabe a nós hoje criarmos as condições para que ele sempre esteja aberto a receber a todos.

E o mais importante até aqui: são nas bibliotecas e livrarias que me encontro com os livros e as pessoas. O livro do Fernando Azevedo, uma obra clássica de um autor clássico, encontrei na Torre da Biblioteca Mário de Andrade. O livro da Geneviève estava nas estantes da Biblioteca de São Paulo.

Na terça-feira, encontrei uma colega bibliotecária em busca de livros que utilizará para estudar para um concurso público na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na Avenida Paulista e de lá fomos comer esfihas abertas e papeamos bastante.

Há coisa melhor do que sair de casa e encontrar pessoas que já não se encontram conosco, conhecer outras que moram distante e encontrar uma boa colega para um bom papo regado à suco de laranja no início de noite na avenida mais conhecida de sua cidade?

Detalhe: fui para a Livraria Cultura prestigiar uma historiadora que estava lançando um livro com crônicas do velho poeta paulistano Paulo Bonfim, mas como o livro custava quase R$70,00, desisti da empreitada e com vergonha de dar um Oi sem o livro em mãos acabei por ler trechos da biografia do Malcom X e um capítulo do livro do FHC sobre o crítico Antônio Cândido. Sabe como é, pobre vai em livraria mas só compra livro barato, ou não compra nada, como fiz naquela noite.

Detalhe do detalhe: o livro se chama Insólita Metrópole, e conta através de crônicas a vida do autor e as mudanças vividas na cidade de São Paulo, e claro, há um capítulo sobre a Biblioteca Infantil Municipal (atual Biblioteca Monteiro Lobato), local onde o autor viveu parte de sua infância, se encontrando com o próprio Monteiro Lobato e outras crianças….

insolitame

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