Tenho notado nos últimos dois anos aumentou significativamente o número de alunos dos cursos de Arquitetura das faculdades paulistanas que realizam visitas à Biblioteca a fim de realizarem conhecerem como funciona uma biblioteca pública ou para realizarem estudos de caso ou proporem projetos de prédios de bibliotecas.

Lembro-me bem que em torno de 2005 a 2007 normalmente só recebíamos alunos do curso de Arquitetura da Faculdade Mackenzie. Hoje em dia, chovem alunos da Uninove, Anhembi Morumbi, FAAP, Escola da Cidade e UNIP. Não lembro de ter atendido nenhum colega da USP, mas normalmente quem está na USP está em outro mundo diferente do nosso, pensando em coisas superiores, viajando pelo mundo afora e vendo a arquitetura gringa…. sei lá! hahaha

Isso pode demonstrar que para a formação do arquiteto, o conhecimento acumulado na realização destes trabalhos seja útil para os profissionais formados.

Logo, minha hipótese é de a que é possível que os arquitetos vejam um movimento de reforma e criação de Bibliotecas Públicas ou Escolares no país. Admito que ao voltar ao quadro que vejo, tudo não passa de fogo de palha ou de uma absurda miragem, mas não custa ser um pouco otimista, não é?

Tomo como exemplo a Secretaria Municipal de Cultura onde a última biblioteca construída e administrada por ela foi a Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em 2001. [Não estou levando em consideração as Bibliotecas do CEUs inauguradas a partir de 2003, que se aproximam de bibliotecas escolares (no primeiro caso, mesmo que também atendam a comunidade) e são administradas pela Secretaria de Educação e nem as Bibliotecas do Centro de Formação Cidade Tiradentes e Centro Cultural da Juventude, atreladas diretamente aos próprios centros culturais onde estão abrigadas.]

Já se vão quase 12 anos sem a implantação de nenhuma nova biblioteca municipal, claro que várias foram reformadas e remodeladas e o serviço de ônibus-biblioteca foi melhorado se aproximando do funcionamento da época do governo da Luiza Erundina/Marilena Chauí, mas isso não resolve o problema das comunidades que ainda não tem biblioteca.

A situação só não é pior porque o governo do Estado criou na cidade a Biblioteca São Paulo e as oito bibliotecas das Fábricas de Cultura já instaladas na cidade.

Ao menos, todas essas bibliotecas poderiam começar a unir forças também.

Seria bacana que tivessem um sistema integrado de pesquisa e empréstimos, apesar de cada rede utilizar um software de gestão de bibliotecas (Alexandria na Prefeitura, Biblioteca Nativa na Biblioteca de São Paulo e Sophia nas Fábricas, mas nada que um bom Z39 e um sistema em Harvesting não resolva!), permitindo ao leitor encontrar o que quiser independente se as bichas são administradas pelos malditos governos do  Estado ou pela Prefeitura.

A programação cultural também poderia ter um site colaborativo, com a criação e  desenvolvimento de programas de leitura e informação.

Essa integração criaria grande grupo de profissionais e um sonho meu poderia ser implantado: a criação de grupos de bibliotecários-leitores que apoiariam no desenvolvimento de coleções de qualidade para os públicos infantil, adolescente, juvenil, feminino, adulto, GLBT, idoso a fim de não ficarmos apenas na mão da sanha capitalista de parte grande do mercado editorial.

Enfim, era para eu falar de uma coisa e acabei falando de um monte delas….. eis meu diagnóstico parcial das bibliotecas públicas na cidade de São Paulo.

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