Reunida em Congresso realizado em Limeira, interior de São Paulo, a Associação Brasileira de Escritores (ABDE) – Secção de São Paulo, estabeleceu por via de uma Comissão, entre várias outras resoluções, o seguinte:

– que a manutenção de bibliotecas, com verba anual para compra de livros, seja um serviço público obrigatório por parte das Prefeituras.

Em outro artigo publicado no anais, o escritor santista Ney Guimarães defende a criação de bibliotecas infantis em todas as prefeituras do Estado em seu artigo “Bibliotecas Públicas infantis”. E seu colega, Antonio Tenório da Rocha Brito, defende a criação de serviços de informação em áreas isoladas em seu artigo “Bibliotecas Circulantes para Escolas Isoladas”.

Mas antes de encerrar o informe, gostaria de informar que a maior parte dos escritores presentes já não se encontra entre nós, e devem ter deixado esta terra meio abatidos, pois o Primeiro Congresso Paulista de Escritores, ocorreu em Setembro de 1946. Entre eles se encontravam escritores como Sérgio Milliet (presidindo o evento), Paulo Mendes, Décio de Almeida Prado, Caio Prado Júnior, Oswald de Andrade, Hernani Donato, Luis Martins entre outros.

É engraçado notar que aqueles intelectuais viam as Bibliotecas como instituições que similares a Biblioteca Infantil de São Paulo, “cuja fundação se deve a essa criatura querida que foi Mário de Andrade, pura e firme consciência humana, um homem que viveu em função do pensamento da beleza, da estética e do amor, não há apenas leitura para as crianças, mas também distrações úteis de gêneros diversos e onde os seus frequentadores aprendem a ser cinematografistas (este que vos escreve pegou na mão um dos projetores de 16 milimetros que haviam lá), jornalistas (havia o Jornal a Voz da Infância e outras publicações), actores, directores teatrais, oradores, artistas do lápis e do pincel”, poderiam apoiar o desenvolvimento da nação.

Hoje em dia, os escritores e as associações de escritores pouco citam as bibliotecas, seja por desconhecimento ou descaso mesmo. Exceções existem, mas são minoria ainda, mas acredito que a criação de novas bibliotecas e a recuperação das antigas podem empolgá-los e criar sinergias entre eles e essas instituições como parecia haver no momento em que foi realizado aquele Congresso.

Mas saindo um pouco do rumo, não poderia deixar de publicar um trecho do discurso do Sérgio Milliet, versando sobre a liberdade, que infelizmente anos depois foi tirada do povo e continua sempre tentando ser solapada pelos poderosos de plantão:

“Nesta hora em que a tirania, imposta em nome da ordem e pela violência, ainda pesa sobre muitos países, inclusive as mães pátrias deste nosso continente, é-nos um consolo e um exemplo a atitude de um Casais Monteiro, poeta de Portugal, a dizer aos povos do mundo: “Que só o homem livre é digno de ser homem”. O homem que diz isso está numa prisão. A nossa relativa liberdade permite que nos organizemos afim de que nunca mais em nossa terra a nossa palavra seja abafada pela violência e que em nome da ordem nos transformem em escravos”.

Digitalizei os dois textos citados. Basta lê-los aqui:

Bibliotecas Infantis e Bibliotecas Circulantes

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