Estou de férias e fazendo o máximo para me desligar um pouco do assunto, entretanto, meio sem querer ele vem á tona, tanto que passando em algum lugar, vi uma pequena publicação periódica cujo título me chamou a atenção: Cultura de Classe, uma revista cultural dos trabalhadores.  Comecei a ler a publicação dois dias depois e em meio a textos bastante irônicos me deparo com este que compartilho abaixo:

O serviço público é ótimo quando os servidores gostam do que fazem

Vim morar em Taguatinga há meio século. No centro da cidade tem a Escola Industrial de Taguatinga – EIT, onde estudei durante sete anos. E, dentro da EIT, tem a Biblioteca Machado de Assis, onde eu via muitos livros. Eu queria ser escritor.

Passados 35 anos, uma das coordenadoras da biblioteca soube que eu tinha acabado de publicar o livro Máscaras. Então me perguntou se eu não queria lançar lá. A biblioteca é um salão único e um lançamento lá interfere nos estudos dos usuários. Então, ela sugeriu fazermos num sábado, depois das 17h, porque aos sábados a biblioteca fecha nesse horário. Eu topei. No dia seguinte, ela me disse que conversou com outras funcionárias e elas se dispuseram a ficar voluntariamente depois do fim do expediente para ajudar na organização porque gostaram de ter ali um lançamento de um autor da cidade.

Além do meu livro, resolveram lançar outros dois para Lília Diniz, sendo um deles ilustrado pelo Jô Oliveira. Mandamos as informações por e-mail. As funcionárias da biblioteca fizeram um cartaz e filipetas para distribuir aos seus usuários. Além disso, divulgaram para a lista de e-mails que elas têm, foram à Diretoria Regional de Ensino e colocaram convites nos escaninhos de todas as escolas da cidade.

Na hora do lançamento, a biblioteca estava decorada pelas próprias funcionárias com várias máscaras (em alusão ao meu livro) e também com elementos da cultura popular (em alusão aos dois livros da Lília). Estava tudo lindo. Começaram a chegar os amigos que também vieram para cantar e tocar voluntariamente. A Cia Mambembebrincante tocou e cantou cirandas e o público dançou; o Flávio Vieira tocou peças populares ao violão; a Jacyara cantou; a Lília recitou e eu e o Jô Oliveira falamos sobre a importância de Taguatinga e daquela biblioteca em nossas vidas. Por fim, o Máximo Mansur foi carinhoso com todas as apresentações e, durante os autógrafos, se deliciou com os pãezinhos de queijo que encomendamos e com o café e os chás oferecidos pelas funcionárias da biblioteca.

Bom saber que existem espaços públicos tão receptivos, tão carinhosos com seus usuários e convidados.

Cacá

Retorno ao texto com um ar de satisfação.

Quem dera todos os espaços públicos, mesmo pequenos ou simples, fossem assim e que os servidores tivessem o comprometimento que os funcionários desta biblioteca aqui do Distrito Federal (estou por aqui uns dias) tiveram. Sei que muitos tem, mas nem sempre isso é divulgado. E por essa razão, abri espaço aqui para divulgar esta biblioteca. Fico pensando aqui o quão legal seria se conseguissemos criar um espaço, não burocrático, por favor, para expormos experiências positivas de bibliotecas.

A Biblioteca Pública de Taguatinga tem um blog:
http://bibliotecadetaguatinga.blogspot.com.br/

Infelizmente não encontrei muito mais informações sobre ela, mas no blog consta que ela iniciou as atividades como biblioteca comunitária e em 1991 se tornou pública, o que já demonstra algo sensacional: o povo tem a iniciativa enquanto o governo come poeira, e depois, algum bom administrador (o que é incomum neste país) vê isso e investe os recursos do povo em uma ação criada por ele. Excelente!

Acabo de descobrir que o blog Caçadores de Biblioteca já realizou uma visita e publicou uma matéria bem legal sobre esta biblioteca, vejam aqui ó: http://cazadoresdebiblioteca.blogspot.com.br/2013/06/biblioteca-machado-de-assis-taguatinga.html

Termino com uma foto retirada da blog que dá uma ideia do espaço da biblioteca.

Galerinha reunida para uma apresentação teatral na Biblioteca
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