Estava o bibliotecário todo serelepe se preparando para sair das imediações da praia de Copacabana quando se lembra que ainda estava todo molhado (sim, o paulistano da gema estava só e não levou sacolinha do Extra com roupas extras) para entrar em algum ônibus ou mesmo no Metrô e retornar para o bairro do Catete quando se lembrou que estava relativamente perto de um dos sebos cariocas que sempre quis conhecer.

Depois de caminhar por alguns quarteirões e ver muita mulher bonita ele chegou ao Sebo Livraria Baratos da Ribeiro  (http://www.baratosdaribeiro.com.br), local que sempre quis conhecer desde o dia que leu uma reportagem sobre seu Clube da Leitura (http://www.baratosdaribeiro.com.br/clubedaleitura/) que ali se realiza quinzenalmente, sempre às terça-feiras.

Sebo Baratos da Ribeiro

Ao entrar no Sebo e sentir o cheiro de livro conseguiu se esquecer da beleza da praia, do perfume das mulheres, da sunga molhada e começou a passear pelas estantes. Como maldito bibliotecário que é hora ou outra ajeitava os livros que não estava com a lombada na mesma linha que os outros. Mas aos poucos, deixou de ser bibliotecário e começou a explorar o conteúdo dos livros e a identificar os assuntos. Separação bastante interessante, inclusive. Simples e sem números e pontos….

Foi quando chegou a algumas prateleiras com as etiquetas de identificação de assunto já bem destruídas: “Sugestões do Livreiro” e “Clube da Leitura”. Começou de imediato a retirar um-a-um os livros. Olhava a capa, as orelhas e folheava algumas páginas. Começou a separar os mais interessantes e quando viu já eram mais de oito. Desistiu de separar e recomeçou a tirar, abrir, folhear até que voltou a si e teve que separar apenas três livros, afinal, estava sem os cartões bancários e as águas e sucos que tomou na areia quente acabaram com seus trocados.

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A qualidade dos livros selecionados era incrível, apesar da presença de obras da Clarah Averbuck (brincadeira, gosto dos textos dela, apesar de não gostar do jeito celebridade dela). Ele ficou com muita vontade de fazer o mesmo em alguma livraria, sebo ou biblioteca pequena e espera um dia conseguir fazer seleção tão boa com a ajuda de leitores, caso daquelas prateleiras que estavam à sua frente.

Por fim, acabou por optar pelos livros mais baratos e de autores que não conhecia. Levou dali “Amanhã não tem ninguém” de Flávio Izhaki e “Gado novo” do autor estreante Guille Thomazi. Logo em seguida, enrolou um pouco mais e deixou de levar “O encontro marcado” do Fernando Sabino, pois sabia que o encontrará em alguma biblioteca pública de São Paul depois. E finalmente, já com toda a roupa seca, comeu um bolinho gosto de bacalhau e zarpou feliz da vida para o Catete.

Capa livro Gado Novo

Dias depois, começou a leitura de “Gado novo” no ônibus e em pouco tempo terminou de lê-lo, pois se trata de uma pequena novela com apenas 66 páginas. Entretanto, o conteúdo é grandioso!

Escrito em estilo seco e com frases curtas o livro aparentemente despretencioso surpreende. A história não se passa em ambientes urbanos ou praianos como muitos dos romances brasileiros atuais, mas sim de mais um dos aspectos e Brasil real e distante, em local com gado, caminhonetes, cavalos e um povo duro mas tão humano.

Mas como sou um blogueiro preguiçoso vou parar por aqui e deixar os links para algumas resenhas com boas análises e uma entrevista com o autor e postarei alguns trechos que chamaram a atenção.

Aqui vão eles:

Empurra a faca no peito do bicho, no espaço entre os ossos para que dê no coração. O boi sente a lâmina entrar e dá um tranco pra trás, mugindo rouco, quer forcejar contra a corda, que não cede, mas tensiona bastante e as fibras esticam, estala, parece corda de viola.

Venta um pouco. Procuro descobrir que odor é este misturado com o cheiro do fogo. Etéreo demais paa ser nomeado. Inspiro profundamente. Por um instante reconheço o cheiro, que me arrebata, mareia, me deixa ofegante, a busca por ar me distrai e então já perdi seu significado memorialístico. Era como se houvesse pertencido a uma parte sombria do meu passado, a algum dos medos que já não tenho mais. E já não os tenho por ter esquecido a razão de temer. Mas a isto o cheiro me remete, ao medo, porque temo, na memória cheia de lacunas a natureza deste medo.

As lágrimas criavam vincos em sua pele galvanizada de poeira e suor, como se antecipassem as rugas que aquele rosto tão jovem não deveria possuir.

Para quem curte uma boa história com várias visões de um fato é uma ótima pedida esse livrinho. 

Paguei R$5,00 e vendo por R$10,00. O dobro do preço, de tão bom que é!

Por fim, recomendo a ida à Livraria e Sebo que também é especializado em discos.

Links:

Primeiro romance do escritor Guille Thomazi provoca a atenção do leitor: jovem catarinense concebe trama estimulante
http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/primeiro-romance-do-escritor-guille-thomazi-provoca-a-aten%C3%A7%C3%A3o-do-leitor-1.691012

O “Gado novo” de Guille Thomazzi
http://shahidproducoesculturais.blogspot.com.br/2013/07/o-gado-novo-de-guille-thomazi.html

Facebook do livro
https://www.facebook.com/GadoNovo

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