Eu havia me comprometido a avaliar o impacto das faixas exclusivas de ônibus que foram implantadas no Jaguaré no dia 11 de novembro de 2013. E agora, além do relato pessoal, também faço algumas observações que considero importantes, afinal, um profissional da informação não é um indivíduo imparcial como alguns ainda pensam que é.

Por acaso, na segunda-feira, dia da implantação, me tornei usuário de veículo particular e tive que levar o possante da família até o mecânico. E de cara posso dizer que a experiência com as faixas foi horrorosa.

Saí da avenida Jaguaré e fui até a primeira oficina do lado direito da avenida Corifeu de Azevedo Marques sem problemas e para deixar o carro na oficina seguinte tive que atravessar para o outro lado da pista e ali fiquei exatos 40 minutos, preso num trecho de 5 quarteirões entre a Corifeu e a avenida Escola Politécnica. Em uma via que tem quatro pistas e uma delas era a exclusiva o caos era generalizado, tanto que vários veículos particulares, cansados da fila para, invadiam a faixa chegando a congestioná-la também. Infelizmente, também não haviam muitos ônibus municipais (há somente duas linhas municipais que passam por toda a extensão da Corifeu e mesmo assim , os benditos carros desde sempre saem juntos do Terminal, uma burrice estúpida não resolvida ainda!), mas ao menos aquela fila andava.

O resultado foi que os motoristas estavam irritadíssimos. E alguns, temos que lembrar, são oriundos das classes que ascenderam economicamente nos últimos anos e foram estimulados, principalmente pelo Governo Federal, com as desonerações fiscais, a adquirirem seus carros e agora são punidos pela escolha.

Por isso, acho que não devemos dizer apenas: foda-se quem tem carro!

É preciso perceber que parte destes cidadãos entrou numa fria, pois a infraestrutura viária da cidade não atende ao crescimento enorme que foi estimulado (e é estimulado há décadas, talvez há um século) e também porque não há solução para um erro. Nenhuma cidade do mundo agüenta tantos carros particulares e chegará o momento que tudo pode parar se algo não for feito.

A questão é complexa, e a imposição das faixas de ônibus é um primeiro passo de muitos que a sociedade terá que dar.

 

Agora, falarei como o usuário de ônibus que sou.

Ao deixar o possante na oficina, peguei um ônibus da linha 8039 (Terminal Vila Yara/Shopping Continental x Butantã) no ponto em frente da oficina em plena Corifeu e fui embora, parando um pouco apenas nos semáforos e na região próxima ao Hospital Universitária da USP onde haviam dois veículos estacionados exatamente na faixa exclusiva….. Mas tirando esses obstáculos, em menos de 10 minutos estava na fatídica avenida Vital Brasil. Trecho onde normalmente se perde de 15 a 40 minutos dependendo do número de carros. Mas apesar do trânsito pesado e de lentidão dos carros o ônibus passou livre e me deixou no Terminal Butantã onde peguei um ônibus da linha 8075 até a Praça Ramos.

Nesse trajeto de ônibus levei exatos 50 minutos. Achei o tempo muito bom, pois antes da faixa, em dias de semana, nunca fiz o mesmo trajeto em menos de 70 minutos. Ainda é muito tempo, mas até que minha viagem não é tão longa se comparada a de outros colegas e de grande parte da população que depende exclusivamente de transporte público.

Antes de tudo, é preciso que os empregos estejam mais próximos de onde as pessoas moram, afinal, é clara a concentração de empregos em algumas regiões enquanto que em outras o número de empregos é próximo de zero!

Por fim, na terça e quarta-feira fiz várias viagens utilizando a avenida Jaguaré e o resultado foi muito, muito positivo, entretanto, não há como negar que o trânsito na região piorou muito. Mas a culpa não é apenas das faixas exclusivas. Há cerca de 6 anos venho para esses lados e ano-a-ano a situação foi piorando até chegar o momento no mês de setembro último quando a lentidão ia até as 9 horas agora ia até as 10 horas e à tarde o caos começava por volta das 17 horas e se encerrava lá pelas 19 horas.

O que vi nessa semana? Em todos os horários que passei por aqui havia trânsito: às 8h30, às 9h, às 10h, às 11h, às 17, às 20h!!!!

O que aconteceu com a retirada de uma faixa para todos os veículos? A avenida que já estava lotada praticamente parou de vez. E cabe lembrar que em alguns momentos os ônibus serão afetados e mesmo com a faixa exclusiva vão parar, pois a cada dia aumenta mais o número de carros na rua!

Vou parar por aqui, mas penso mais um monte de coisas e nem falei da lotação do transporte público: de manhã e no final da tarde os ônibus estão abarrotados. O trem da CPTM que passa na região também está horrível.

 

O crescimento desenfreado da metrópole faz que qualquer meio de locomoção e serviço tenha fila. O que fazer?!?!!!

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