Avenida Paulista, sexta-feira chuvosa, dia vinte e dois de novembro, dezoito horas e trinta minutos.

O ônibus está parado no mesmo lugar há mais de meia hora e todos dentro estão em silêncio e pequenos e breves são os movimentos até entrar um homem e uma mulher.

Eles passam pela catraca e ela, com seu belo vestido cor de rosa, alta, magra e silenciosa, chega no lugar vazio com seu smartphone na mão. Se senta, puxa a antena e começa a assistir à novela das seis.

Silenciosamente, seu colega se aproxima, ela ergue os braços, sem tirar os olhos da tevê, e ele coloca sua mochila no colo dela. Em seguida, ele saca um celular do bolso, puxa os fios do fone de ouvido, coloca-os nos ouvidos e fica olhando para o mar de carros sob a garoa.

Aparece um lugar, ele toca no ombro dela, ela passa a mochila e ele se vai. Ele se senta e logo já pega novamente o celular e também começa uma partida em algum game para celular.

Mais alguns minutos se passam e ela coloca o smarthpone com a novela no colo, abre a bolsa e retira outro celular e começa a navegar pelo Facebook.

Enquanto isso, eu e o resto do mundo ficamos no silêncio, só ouvindo o roncar permanente do motor do ônibus até o tráfego diminuir e a vida voltar a andar na avenida Doutor Arnaldo sentido Vila Madalena.

 

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