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A capa da edição portuguesa (escolhi por ser mais sexy!)

 Depois de alguns meses, finalmente peguei o tal livro A bibliotecária (Record) da Logan Belle e terminei a leitura. Não gostei do livro, mas fiz o possível terminar a leitura, pois trata-se de uma obra com lugares comuns por toda parte, seja no que se refere à bibliotecas ou em relação a relacionamentos com uma pitada de erotismo. Um pouco de ousadia e criatividade faz bem, principalmente em literatura.

Mas mesmo fraco, foi possível tirar alguma “coisa” que dá para discutir ou se divertir apenas.

Vamos a elas:

– No trecho “Ela adorava um bom sistema. Para ela, a ordem estava acima de tudo” aparece uma velha e típica caracterização do bibliotecário. Mas como todo estereótipo tem sua exceção, eu sou bibliotecário e a ordem não está acima de tudo, pelo contrário, nada aqui está em ordem.

– Em outro trecho, encontrei isso: ”Trabalhar no balcão de empréstimo não era um trabalho muito estimulante”. Ê preconceito danado com o velho e bom balcão de empréstimo. Nesse local tive várias das conversas mais estimulantes e divertidas no trabalho. Mas também, a dona bibliotecária com uma especialização em Arquivos e Conservação a moiçola só podia odiar o empréstimo e a consequente destruição dos livros. Calma aí, eu sou a favor da conservação, só estou sendo irônico.

– Também me chamaram a atenção dada para as reuniões com a comunidade para traçar estratégias para obtenção de recursos. Coisas que não acontecem muito por aqui e que já vi em outro best-seller que fui obrigado a ler e depois divulgar que li para diminuir minha fama de perseguidor dos gatos: Dewey, um gato entre livros. Mas ao comparar as descrições das reuniões fica clara a diferença de abordagem superficial deste romance em relação à biografia do bichano, neste último, as mínucias da luta por mais recursos gera vários dos melhores momentos não fofos do livro.

Há uma citação à bela novela A fera na selva do Henry James. Seria ótimo se a autora tentasse copiar ao menos alguma coisa do estilo do James nas tentativas de sedução do bonitão, né?! Logo, recomendo a leitura dessa novelinha filha da mãe de boa!

Quanto ao sexo, por favor, um livro como Travessuras de uma menina má (Alfaguara) do Gabriel García Márquez tem duas descrições de cenas de sexo que são mais criativas que todas as deste livro… E para não falar só de um clássico, cito uma nova autora, a Natércia Pontes, autora de Copacabana Dreams (Cosac Naify), de onde tiro o trecho abaixo de um conto para dar uma ideia do que eu acho bacana nessas descrições:

“à flor dos seus dezesseis anos a jovem dama dançava, livre e vertiginosamente, em pleno banheiro do Teatro Municipal; seus dedos compridos e finos deslizavam no sexo pequeno, doce, inchado, quente e fartamente umedecido.

O jovem moço, mais pálico ainda, não pode conter-se ao receber seu merecido prêmio quando abriu a porta do toalete feminino e deparou com a visão da misteriosa dama dos olhos amendoados, sua doce presa, dourada, castanha, de pé e cambaleante, como se dançarina havaiana fosse, movendo-se em ondulações rotundas e ao mesmo tempo frenéticas, irresistíveis aos olhos animais do macebo de cabelo engraçado, na ocasião alucinado e despindo-se com furor.

Não houve palavra. Dançaram em comunhão até o fim dos dois últimos atos. A ela apraziam a respiração ofegante nos ouvidos e a força mística da penetração, a ele, completamente enternecido, a sensação absoluta de pudim.”

Tá bom, o pudim não caiu bem! Mas nada parecido com a pérola de A bibliotecária:

“Seu corpo a traiu com um ardente brilho de excitação entre as pernas”.

Eu não sabia que o negócio feminino brilhava… hahaha.

Mas enfim, me diverti bastante e valeu a pena a leitura e recomendo a resenha  “50 tons de lilás” feita pelo colega Jorge do Prado em seu blog 2000 caracteres .

Até o próxima leitura!

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