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E lá estava o modesto nadador, como um garoto peralta, pegando ondas em Copacabana. Fim de tarde nublado e as ondas começavam a chegar mais agitadas. Ciente de que o perigo se prenunciava, ele começou a reparar nos banhistas ao redor e não ia além da linha deles, mas como o mar não respeita regras de geometria o imprevisto-previsível veio à tona e de repente, após a quebra de uma onda seus pés já não alcançavam as areias. E as ondas quebravam bravamente uma após a outra até que uma delas tirou seu frágil equilíbrio e o afundou….

Quando submergiu já não sabia onde estava, e sem pena alguma mais duas ou três ondas vieram e só o que pode fazer foi deixa-las passar, pegar um ar e tentar se relocalizar.

Finalmente, em uma pequena folga de tempo, viu em que direção estavam os prédios da orla e começou a nadar e nada. Nada de sair do lugar. Esperou uma onda mais forte e submergiu com ela até seus pés voltarem a sentir as areias.

Exausto, e deve-se admitir também amedrontado, depois de vários minutos no mar, parecia que estava em situação semelhante ao deu grego Atlas, mas ao invés de ter o mundo sob suas costas, sentia o peso da água durante as braçadas e foram intermináveis os momentos até chegar à beira da praia. Quando chegou a areia úmida, sem forças, se deitou e ali ficou por longos minutos. Foi quando se lembrou das últimas leituras cujas histórias tinham relação com o mar.

Apesar da situação bem mais simples e menos trágica, acabara de viver semelhante ao vivido pelo personagem principal do premiado livro “Barba ensopada de sangue” do Daniel Galera, em que em determinado momento de desespero, ele se lançou ao mar em meio a uma tempestade e quase foi levado ao seu fim enfrentando turbulentas ondas em uma praia deserta do sul do país. No caso do nadador desta história, não havia tempestade e muito menos deserto, mas a realidade é tão assustadora quanto aquela situação fictícia.

Em seguida pensou ter tido um momento em que a rainha do mar, a Iemanja tão calorosa e impiedosa descrita em “Mar morto” de Jorge Amado o queria para sempre ao lado dela na Bahia de Guanabara. Como ele não foi sugado pela paixão, parece que o nadador está fadado a estar só, sem ter uma angustiada mulher a lhe esperar nos cais da cidade maravilhosa a lhe esperar.

Depois do ocorrido, evitou adentrar no mar bravo, mas não se arrependeu do ocorrido, pois é melhor lembrar-se de breves momentos de desespero e de duas obras literárias acachapantes a se lembrar do filme “A lagoa azul” como se lembrou um dia antes quando mergulhava em lagoa de mesmo nome em Angra dos Reis.

Afinal, uma aventura solitária, mas perigosa em Copacabana, é muito mais tenaz que um mergulho ao lado de uma embarcação e sem ao menos uma Brooke Seelds ainda jovem e bela a esperar ou fotografar com aqueles lábios prontos a sentir o salgado de sua boca ao retornar.

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Eis o grande nadador (e ao fundo uma beldade, uma beldade alheia, de outro nadador…)

 

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