Em primeiro lugar, quero pedir desculpas ao improvável leitor. O título desta postagem é uma enganação, afinal, parece um daqueles artigos que irão falar do papel do bibliotecário em algum local ou como um profissional que visita bibliotecas ou outras localidades de trabalho dele.

Mas na verdade, trata tão somente do percurso de um típico bibliotecário em seu período de quarentena de mais de três anos distante das bibliotecas (eu quase retorno este ano, mas ainda não foi possível). Exatamente por essa razão, este Blog anda meio abandonado.

Nos últimos tempos queria muito ter escrito sobre a Brechoteca, a Biblioteca Popular do Jardim Rebouças, no Campo Limpo.

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Aquela biblioteca comunitária, sob a direção do coletivo de mulheres Achadouro de Histórias, mas que faz a gestão junto das crianças e jovens que a utilizam e que a ajudam a ser praticamente perfeita. Pena que a grande imperfeição é a falta de apoio, seja da Secretaria de Cultura onde trabalho, da Secretaria de Estado da Cultura e mesmo do Ministério da Cultura, entes que não possuem políticas públicas permanentes voltadas para as bibliotecas comunitárias. Está bem, há vários editais e prêmios, mas edital com projetos de curta duração não é política para mim, é um apoio que não dá sustentabilidade, como ocorre por exemplo, com os Pontos de Cultura que normalmente recebem recursos para projetos de 24 meses.

Quando dá tempo, ainda consegui conhecer a Livraria Biblioteca Tapera Taperá. Lá na Galeria Metrópole, ao lado da Biblioteca Mário de Andrade no centro de São Paulo, um diplomata do bem (não que sejam do mal, vai…), criou uma biblioteca-livraria como diz o seu nome, onde seus mais de 2.000 livros podem ser emprestados (e até comprados se houver exemplares no mercado) e outros livros selecionados, com bastante ênfase em literatura independente e periférica, são vendidos. Além do acervo, o lugar tem uma programação de discussões e saraus muito interessante, unindo periferia e centro, popular e erudito e muito mais. Acho até que a sua programação é muito melhor que a da Biblioteca vizinha, mas não dá para comparar alhos com bugalhos. Alias, olhando os dois lugares (que frequento) logo penso em um acervo da literatura independente e periférica em São Paulo e tenho uma ideia que uma hora pode virar realidade. Se a realidade dura deixar, é claro.

Mas por falar em periferia…..

As visitas na periferia continuam. Não mais na zona sul, normalmente na região da subprefeitura do Campo Limpo. Não mais indo almoçar no Ponto de Cultura Alimentar do Capão Redondo e ou no Instituto Favela da Paz, que também possui uma hora vertical, biogás e um estúdio comunitário genial, tudo prezando a sustentabilidade. Também não devo voltar ao Instituto Periferia Ativa, onde agora em junho a garotada de férias do Jardim Godoy/Sabim no Capão Redondo reiniciou suas oficinas de Audiovisual e irão fazer seus filmes pelas ruas de lá.

Saindo da zona sul, agora meu trabalho de acompanhamento de coletivos contemplados pelo Programa VAI e de Pontos de Cultura Municipais será no que chamamos de zona noroeste, que abrange duas subprefeituras (Pirituba/Jaraguá e Perus).

No último sábado fiz a primeira visita. E lá estava eu na já conhecida Praça Inácio Dias, ao lado da estação Perus da CPTM visitando o projeto Quebrada Viva Battle. Projeto que promoverá vários encontros de Hip Hop, apresentando seus quatro elementos, mas com foco principal na dança das BGirls e Bboys.

O mais legal de cara, foi a presença de várias gerações de curtidores de Hip Hop, a começar da presença do bboy da velha guarda Chileno, cara de apenas 57 anos e que ainda dança pra caramba. Além dele, haviam os empolgados garotxs do coletivo e muitas crianças vendo e dançando também. Volto um pouco ao Chileno para dizer, que além de dar uma palhinha na dança, ele contou um pouco de sua história (veja mais aqui) e respondeu várias perguntas. Foi o momento informação e memória, o que torna a atividade mais que apenas um evento, e isso costuma acontecer muito na periferia!

As fotos que tirei dizem um pouco do que aconteceu por lá. Clique na foto abaixo para ir para o álbum!

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Por fim, após essas visitas e vivências todas, prometo postar as fotos delas aqui, revivendo minhas leituras do viver cultural da periferia paulistana, porque viver é preciso, ter acesso a arte e à cultura é um direito e através deste direito, podemos aprender a ser cidadãos completos, tendo acesso à diversidade cultural (devo visitar projetos de várias linguagens) e melhorar nossa convivência nestes tempos de individualismos.

 

 

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