Nos últimos meses tenho ido muito na Caixa Econômica Federal e acompanho a saga de muitos cidadãos em busca de seus saldos do FGTS. A falta de informação era uma judieira só.
Acredito que 50% dos que para lá se dirigiam queriam saber se poderiam sacar seu dinheiro retido.
No banco ficava me perguntando como é possível que em tempos que temos o cérebro na mão, o vulgo Smartphone, da maioria das pessoas? Com tanto veículo de comunicação informando a todo momento até mesmo dentro dos ônibus, trens e metrôs. Quase todo mundo, em especial, os especialistas e gestores, vivem a dizer: hoje todo mundo tem acesso a toda e qualquer informação produzida.
A quantidade de informação produzida, só pode ser analisada via Big Data e outras novas tecnologias, pois o seu crescimento é enorme e se multiplica a cada dia.
O problema é que tanta informação para muita gente não serve para nada. E não servem para nada porque a informação precisa e necessária não chega em quem precisa.
A informação circula mas não se sabe por onde (na verdade sabemos sim) e os cidadãos mais simples, que nesse país são maioria ainda, não tem acesso a ela.
Eles estão alheios ao mundo da circulação de informação e conhecimento.
Acredito que um dos motivos é o sistema alienante reinante: a mídia principalmente nos enche de propaganda, que nos faz querer isso e aquilo e, além disso, impõe uma programação imbecilizante (veja os BBBs, Datenas, Ratinhos, novelas, games mil) e tirando os programas da madrugadas e os telejornais/jornais não informam, não contribuem para a formação crítica das pessoas.
E o problema não é apenas nos canais abertos ou rádios populares, ao assistir os canais pagos, a programação deixa a desejar, e a repetição de modismos não acaba nunca (programas sobre decoração, culinária e troca de casas se vão um atrás do outro).
A informação está represada, é monotemática ao mesmo tempo é abundante e especializada.
Falta diversidade informacional, como falta diversidade literária, por exemplo.
O que podemos fazer?! Como acabar com esses desespero?
Podemos começar a fazer algo e começam por ações até simples e as bibliotecas podem ter um papel muito importante.
Por exemplo, nesse período de tempo desde o anúncio da liberação dos saldos do FGTS, elas poderiam ter informado que a Caixa ainda não tinha definido o cronograma, creio que tal ação teria evitado muito bate-boca, muita irritação e até mesmo a sanidade dos funcionários de triagem do banco, pois deu muita dó deles tendo que responder a mesma informação, já sabida, até amplamente divulgada pela mídia, para os cidadãos tão carentes de informação.
Então, fica a dica, quando aparecer algum assunto importante, que pelo senso comum, pensamos já ter sido bem divulgado, podemos utilizar as redes sociais, o boca-a-boca e até mesmo o velho mural da biblioteca para informar as pessoas. O surto de febre amarela é um destes temas importantes que precisamos abordar, para evitar corridas inúteis aos postos de saúde, por exemplo.
Creio que um caminho para a melhoria das bibliotecas é torná-las realmente úteis à sociedade, e ao invés de ficar reclamando, informar e buscar os cidadãos, trazendo-os para perto para alcançar uma melhor posição dentro da tão complicada esfera estatal e, oxalá, conseguir também apoio da sociedade para se manterem e avançarem.
Claro que esse tipo de comportamento é só o começo, pois é preciso criar redes informacionais e avançar sobre a forma como recebemos informação, deixando de receber os mesmos conteúdos em nossos mil grupos do WhatsApp e passar a receber também informação utilitária neles. Não de forma chata, mas de formas a “dar uma luz” para as pessoas, para despertá-las que existe um mundo de novas informações, oportunidades e assuntos na grande rede mundial que está a nosso dispor em quase todo lugar.
Enfim, segue o link com informações de como sacar o tal FGTS!
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